O futebol, introduzido no Brasil
no final do século XIX por um grupo de ingleses
residentes em São Paulo, chegou a Poços
de Caldas em 1904, com a fundação do Foot-ball
Club. Consta que um de seus fundadores, Paulino de Souza,
naquela ocasião estudante de medicina da capital
paulista, havia trazido uma bola de futebol, objeto
desconhecido na vila.
Várias outras agremiações
nasceriam no princípio do século XX. Mas
alguns desses clubes desapareceram em seguida. Caso
do Internacional F.C, que encerrou suas atividades no
mês de fevereiro de 1925. Alguns remanescentes
destas equipes se uniram naquele ano, formando a Associação
Atlética Caldense, clube que hoje é o
maior centro esportivo da cidade.
No dia 16 de novembro de 1925, alguns
jovens esportistas, chefiados por João de Moura
Gavião, reuniram-se na Photografia Selecta, sede
provisória do time, situada na avenida Francisco
Salles, perto do Hotel Lafaiete, para eleger a primeira
diretoria, assim constituída:
João de Moura Gavião
– presidente, professor Hugo Sarmento - vice-presidente,
Romeu Chiacchio - 1º secretário, Cherubim
Borelli - 2º secretário, Caetano Pereira
– tesoureiro, Flaminio Maurício –
procurador, Octávio Mantovani - diretor esportivo.
A Comissão de Sindicância era composta
por João de Oliveira Carmo, Antônio Ricci
Júnior, Domingos Lamberti, Vitor Fortunato e
Adolpho Guetti.
Os tempos iniciais foram difíceis,
mas a esforçada associação despertou
na mocidade um forte entusiasmo pelo futebol, que se
tornava a coqueluche do momento. Sua comissão
técnica trabalhou com afinco para que as agremiações
possuíssem o melhor plantel da cidade.
Após algumas vitórias,
em dezembro de 1925 o novo esquadrão enfrentou
o Cruz Vermelha, campeão local. Mas, apesar de
bem preparado, devido a uma chuva impertinente que caiu
antes do jogo, foi derrotado por 3x2.
Esse revés não desanimou
os valentes jogadores e, no ano seguinte, vários
encontros amistosos com times de cidades vizinhas consagraram
a Veterana nos meios esportivos regionais.
Fora criado o time, porém o
grêmio social esportivo denominado Associação
Atlética Caldense passou a existir após
uma reunião realizada no dia 3 de abril de 1926,
com a fusão da Caldense e o Gambrinus F.C. A
primeira diretoria eleita foi constituída por:
capitão Afonso Junqueira - presidente honorário,
Fosco Pardini - presidente efetivo, Ulpiano César
Mine - vice-presidente, João de Moura Galvão
– tesoureiro, Cherubim Borelli - 1º secretário,
Lourenço Batiston - 2º secretário,
Hugo Sarmento - orador oficial e Arthur Cherchiai -
colaborador. Dois dias depois houve uma reunião
de trabalho a fim de colocar em prática o funcionamento
da associação.
O falecimento prematuro do fundador
João de Moura Gavião em 1927 trouxe o
luto para a nascente da associação, que
passou algum tempo desanimada e com reduzido ardor para
a luta. No entanto, aos poucos o conjunto retomou o
ritmo, batalhando com amor e energia para a glória
do clube.
Durante a gestão do presidente
João Porfírio Bueno Brandão, em
1928, a diretoria resolveu comemorar, daí por
diante, a fundação da Caldense no dia
7 de setembro, por ser uma importante data cívica
e coincidir com o feriado nacional. Esta determinação
foi oficializada em 1943, na presidência de João
Coelho da Silva.
No início de sua existência,
o clube não possuía nem sede social e
nem campo próprio. Existia apenas na cidade o
campo do Internacional F.C., no atual jardim fonte luminosa,
não havendo arquibancada nem gramado. Os torcedores
ficavam em pé e os jogadores tinham que se contentar
com um campo pelado e negro.
Antes mesmo da fundação
do time, os jovens desportistas já tinham escolhido
o terreno do “Chalé Procópio”
para as atividades futebolísticas dos domingos.
A partir de 1926, a Caldense começou a dar os
primeiros passos para conseguir a área do coronel
Christiano Osório de Oliveira, que naquela ocasião
era um enorme brejo, onde a meninada ia caçar
rãs.
Em 1929 uma comissão chefiada
pelo prefeito Carlos Pinheiros foi a São João
da Boa Vista pedir ao coronel Osório a cessão
do imóvel.
O terreno, cedido a título
precário, foi drenado e cercado de madeira. A
partir dos anos 30, foi composta uma arquibancada rústica.
Em 1947, a diretoria do presidente José Anacleto
Pereira conseguiu da família de Christiano Osório
um comando de uso, com o prazo de 20 anos, para as instalações
do clube.
As diversas diretorias que se sucederam
muito fizeram para o progresso e glória da agremiação,
melhorando e iluminando o campo de futebol e iniciando
a construção da quadra coberta, permitindo
assim a realização de partidas noturnas
e o desenvolvimento do esporte especializado.
A sede inicial e provisória
do time da Caldense foi a Photographia Selecta, em 1925.
Em seguida vários outros endereços: Palacete
Cobra, na praça Pedro Sanches, antigo Cassino
Gibimba, de 1938 a 1942, no Polietema, na avenida Francisco
Salles até 1959, edifício Imperial até
1962 e, finalmente, em 1962 junto ao estádio
Christiano Osório, a partir de dezembro de 1962,
na gestão do presidente Antônio Megale.
A sede social foi obtida no mesmo ano, com a doação
oficial da família Osório. Com a posse
do imóvel, vários melhoramentos foram
realizados pelas diretorias subseqüentes, como
a construção da piscina.
Entre 1960 e 1961 o futebol da Veterana ficou famoso
nos meios esportistas pela campanha das 57 partidas
invictas, o que proporcionou uma onda de entusiasmo
entre associados e moradores de Poços de Caldas.
Durante a presidência do Dr.
Antonio Megale, em 1962, a Caldense se tornou proprietária
do terreno que compreendia o campo de futebol e as demais
dependências esportivas, devido à doação
definitiva feita por Cristiano Osório de Oliveira
Filho, grande desportista e amigo de Poços de
Caldas. Essa transação foi realizada graças
ao empenho do prefeito David Benedicto Ottoni que, com
a aprovação da Câmara Municipal,
se comprometeu em troca a proceder o arruamento da chácara
Osório pela prefeitura.
Com a posse do imóvel, vários
melhoramentos puderam ser executados pelas diretorias
subseqüentes, como a construção das
piscinas, da sede social, dos ginásios, saunas,
etc.
Lutando em seu próprio estádio,
que foi durante muitas décadas o palco de memoráveis
vitórias do Verdão, e após a edificação
das quadras cobertas que possibilitaram a realização
dos saudosos Jogos Abertos, a Caldense pôde se
destacar nos meios esportivos, tornando-se orgulho dos
poços-caldenses de nascimento e de coração.
Com a inauguração do
Estádio Municipal Ronaldo Junqueira, em 1979,
o campo da Associação Atlética
Caldense foi desativado e em seu lugar foram construídas
duas quadras de tênis, de peteca, um parque infantil,
assim como uma nova piscina para atender o número
de associados que a cada ano crescia.
No final da década de 1980, o clube adquiriu,
na saída da cidade, uma área de treinamento
do futebol profissional, denominada Ninho dos Periquitos.
Hoje, o local conta com alojamento, três campos
de futebol e piscina para a preparação
dos jogadores da Veterana.
Na década de 1990, foi implantada
a biblioteca Oscar Nassif, houve a ampliação
da área de lazer com os quiosques construídos
e a inauguração da piscina aquecida.
Em 2002, a Caldense conseguiu o maior
título de sua historia, conquistando o Campeonato
Mineiro. Apesar de uma campanha brilhante e difícil,
a equipe verde e branca mostrou toda a capacidade ao
lotar o estádio Ronaldão e derrotar o
Nacional, levando o nome de Poços de Caldas ao
futebol do Estado.
Na gestão do atual presidente, o futebol passou
a ser incorporado o ano todo, sendo um sonho realizado
pelos torcedores da Veterana. Na sede social aconteceram
melhorias, com aquisição de aparelhos
de musculação, reformas dos vestiários
e, recentemente, com a nova grama do campo de futebol
society. |